GALGANDO    O    MONTE     SILVADO
 
 
 

 


           Em 22 Ago 99, eu e três colegas empreendemos a subida, pela segunda vez, do Monte Silvado, 640 metros de altura, situado na região litorânea de Maricá, Estado do Rio de Janeiro
 

                                                                        Preparativos
 
 

    

 

 

     Nos reunimos naquele domingo,  às 0600 h, na casa do Natanael e de lá partimos para Maricá. Felizmente, todos menos Natan, sabiam o que os aguardava, pois estavam prestes a realizar sua segunda aventura na montanha. 

          Por volta das 0730h, depois de   separarmos e empacotarmos nossas provisões, nos preparamos para a subida.
 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

O monte Silvado tem 640 metros de altura, segundo os mapas e oferece certo grau
de
dificuldade para ser vencido. Não se encontra mais de 100 metros de terreno plano
e  quase
todo o resto é íngreme. Dificultam a caminhada montanha acima o capim
escorregadio,os
arbustos espinhosos, as pedras traiçoeiras, as cercas de arame farpado e o gado, que pasta
soberano nas regiões mais baixas, acessíveis a ele.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 O cume se localiza no ápice da face sudeste, a mais íngreme. Do cume, pode-se  descer para leste, mais suavemente, encontrando  entretanto,  certa dificuldade e algum perigo nas escarpas à volta.
 

          0730h. Não usamos qualquer  equipamento especial, nem mesmo cordas e sequer nos preocupamos com roupas, digamos, adequadas .
           Natan usou bermudas e subiu sem  camisa, ficando à mercê dos espinhos no caminho. 
           Mas todos estavam,sabiamente, usan
do tênis. 


 

                                                   Início  da  Subida
 
 
 
          Atravessamos um pequeno campo de futebol, localizado atrás do único  comércio local. Em seguida, cruzamos uma propriedade privada, com o consentimento dos proprietários, acostumados a todo tipo de excurssionista maluco.

          O primeiro obstáculo é a primeira  etapa. Mata cerrada com muito espinho e um terreno pedregoso e escorregadio. 

          Aqui e ali, se encontra uma trilha, mal definida, mas como saber se é de outras excur-
sões ou do gado que pasta nas regiões mais baixas? Procuramos nos orientar de tal    modo
que nossa investida se desse pelas encostas mais suaves da montanha e para tanto, tivemos,
às vezes, que caminhar em sentido inverso ao nosso objetivo final.

          Isso é complicado porque na maior parte do tempo, não temos, após iniciar a subida,
qualquer visão do pico a ser alcançado. Ele fica sempre oculto por elevações a meia encos
ta.

          Qualquer distração pode nos desviar da rota e nos fazer perder tempo precioso. Mes
mo com todo cuidado, levamos exatas 3 horas para atingir o cume do Silvado. Por compara
ção, subi o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, na metade desse tempo e lá usei cordas espe
ciais e não havia qualquer tipo de trilha.


                                                 A  Primeira  Hora
 

          Com uma hora de caminhada, vencemos cercas e mato denso. A equipe se dividiu    e
dois de nós (Natan e Dejamar), seguiram em frente. Na verdade, Natan foi o primeiro a che
gar ao cume e de lá, ficou nos zoando pelo celular, nos apressando, sendo logo  alcançado
por dejamar. Nini ficou comigo, pois sou o mais pesado dos três e portanto, minhas dificul
dades foram bem maiores. As pernas às vezes se recusavam a obedecer.

        Nessa primeira hora atingimos um platô, embora nessa região não haja realmente planos.

          Atingido o primeiro "platô", consideramos concluída a primeira fase do assalto    à
montanha. Descansamos um pouco (Natan seguiu em frente), comemos algumas frutas, be
bemos água e alguns sanduíches foram devorados. Nesse momento, Dejamar começou   a
se distanciar de mim e de Nini, que ficou pra trás apenas por solidariedade, pois eu come
çava a sentir os efeitos de estar bem acima do meu peso.

          Pudemos observar que nessa região, o Silvado é quase todo cercado de rica vege-
tação e há por ali todo tipo de pássaro. As árvores fornecem o alimento e o abrigo de que
tanto precisam aquelas criaturinhas  aladas.  É repousante ouvir pássaros cantando  en-
quanto passam céleres sobre nossas cabeças, aproveitando o ar fresco da manhã e o   sol
ainda difuso dessa época do ano. Mas é preciso encerrar esse tempo de contemplação   e
prosseguir na jornada.


                                                                       Platô
 
 

          A saída do primeiro platô nos mostra logo de cara mais uma cerca, que guarda ou-
tra mata cerrada, mais espinhos e a infrutífera busca por trilhas confiáveis.
 

         O sol começa a dar o ar de sua graça e  tentamos apertar o passo, mas os obstáculos nos fazem dar voltas, procurar trilhas,evitar os paredões traiçoeiros. 

          De onde estamos, temos alguma visão das praias oceânicas de Maricá e Saquarema. É uma visão espetacu lar. Pode-se ver toda a extensão das praias e as  montanhas que cercam o Silvado. 

      São dezenas de cadeias de montanhas, com extensos vales, tudo a perder de vista.
    O
  verde predomina mas podem ser vistas ao longe diversas queimadas, o que é uma
pena.

 
          A meia encosta, pela qual     havíamos
passado anos atrás quando de outro  ataque
ao Silvado, ainda conserva, felizmente,a mes
ma exuberância e ali, a vegetação não     foi
prejudicada.

         Mesmo à meia encosta, já se pode ou-
vir o silêncio, quebrado apenas pelo vento,
que canta através da vegetação. 

          Nesse ponto, a capim chega a um me-
tro de altura e temos que pisar com   cuida-
do.  Há o perigo de quedas inesperadas. 

          

                           Em alguns pontos, mais acima, uma queda pode nos fazer descer até 10
                               
   metros, antes  que encontremos algum apoio que nos segure.

          O lance seguinte nos colocará numa elevação logo abaixo do objetivo final. É um pon-
to indefinido, que podemos situar na altura de 2/3 do caminho. Estaremos lá em pouco  mais
de uma hora. Dali temos mais de 180 graus de visão sobre a região.
 

     Este é o penúltimo lance da nossa emprei
tada. À nossa frente, temos visão parcial  do
pico do Silvado e o trecho mais íngreme     e
delicado da subida. 

      O trecho nos tomará cerca de uma  hora
mas com sorte, acharemos alguma trilha (já
havíamos encontrado algumas, mas o pouco
uso e o capim alto, as fizeram   desaparecer
à nossa frente. 
 




           A foto acima marca o ponto onde nos despedimos da vegetação e passamos a conviver
com o capim alto, as pedras soltas e paredes íngremes.
 

                                             O    Último    Lance
 
 

           É o último lance, mas exige do excursionista determinação, persistência e vigor físico
sem os quais, ele acabará desistindo. Cada escorregão nos leva a 3 ou 4 metros abaixo  e   é
preciso deixar o orgulho de lado e se segurar nos tufos de capim ( traiçoeiros). Encontrei di
ficuldades para subir, por todo o trajeto, mas essa parte, em especial, exigiu todo meu empe
nho e determinação.

          É um trecho pequeno e árido, coberto com capim escorregadio e pedras que se soltam
 a todo instante. Sài vistos por ali muitos formigueiros que, se eventualmente pisados, espa-
lham pelos pés centenas de de formigas. Um de nós se descuidou e teve que agir rápido,  ti-
rando seu calçado e limpando-o, bem como, os pés.

         Chegar ao cume é uma experiência única. Começa-se a sentir que a visão aos   lados
se amplia, o céu azul brilhante vai surgindo à frente, à medida que o cume é alcançado.


                                                                           No cume

          No cume do Silvado, temos plena visão (360 graus), sem qualquer obstáculo, pois ali
não existem árvores, apenas capim com vestígios de queimadas recentes.

          O local mede aproximadamente 60 metros de extensão com cerca de 15 metros      de
largura. À exceção da direção da qual viemos,  tudo à volta é um precipício.  É perigoso se
aproximar de qualquer borda desse pequeno platô. O chão limpo, o capim ralo e escorrega
dio são um convite a um escorregão, que jogará o excursionista a pelo menos 50 metros a-
baixo, até encontrar um ressalto que interromperá de modo brusco sua queda.

          A visão dali abarca todas as montanhas à leste e ao norte. Podemos também ver  to-
das as praias à sudeste e sudoeste, o aeroporto de Maricá, as cidades litorâneas (impossí
veis de serem nomeadas, mesmo com o uso de binóculos, devido à falta de mapas,que  não
levamos). Podemos no entanto presumir, pela localização, que são as praias de Maricá  e
Saquarema, pois do alto do Silvado vemos a rodovia que alcança essas localidades.

          A rodovia mais claramente visível é a RJ-116  que leva à Região dos Lagos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          Podemos ver o mar azul a perder de vista, desde o alto do Silvado. Chegamos ao pico
às 1030h, tendo levado portanto, 3 horas na subida.

          São 640 metros morro acima, sob um sol felizmente brando nessa época. Ao chegar-
mos, tentamos recuperar as forças. Sentamos, deitamos, comemos e bebemos, afinal, preci
sávamos diminuir o peso para a descida. Ficamos por ali cerca de 30 minutos, fazendo   a
cobertura fotográfica da expedição e nos preparamos para a descida.

          O retorno também oferece dificuldades. Os pés doem pela posição incômoda     que
têm que adotar por todo o trajeto. E é na descida que o terreno proporciona maiores que
das (envergonhado confesso que caí exatas 12 vezes). É preciso cuidado com uma torção
que dificultará ainda mais a caminhada.

          No retorno, conseguimos, na meia encosta, encontrar uma trilha que nos conduziu
com certo conforto até o primeiro platô.  Dali voltamos à mata cerrada, encontramos   a
cerca e os espinhos.

          Finalmente chegamos aos fundos de um sítio, não o mesmo por onde  entráramos,
de onde alcançamos o pequeno comércio, atravessando novamente o campinho de  fute-
bol, onde finalmente pudemos nos refrescar.

          Discutimos um pouco sobre o que acabáramos de fazer e demos por encerrada   a
nossa aventura. Sem dúvida concluída com sucesso.
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