Um Comentário
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De cara peço desculpas pela, talvez, falta de modéstia, mas falo do que sinto e pronto. Relevem. 23 de fevereiro de 2008. |
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"O Globo", edição de 17 ago 2007 - Coluna do Ancelmo Gois. ........................................................ "Marechal Jobim Aliás, Lula disse ontem, numa roda no Rio, meio à brinca, meio à sério, que tem adorado Jobim. Explicou que seu ministro da defesa tem vozeirão, é enorme e, por isso, os militares ficam pianinho quando falam com ele." ........................................................... É amigos, nunca me senti tão humilhado enquanto militar. Nunca o tamanho ou o vozeirão de um superior hierárquico me fizeram ficar pianinho. E tive comandantes de alta estatura corporal e moral. Tamanho e voz jamais me fizeram mudar de atitude, aumentar ou diminuir minha avaliação. Sempre foram o caráter, a postura e a inteireza moral dos meus superiores os aspectos que podiam afetar minha própria conduta. Disciplina não se obtém com vozeirão ou altura, ou peso. Lamentável ouvir do presidente tal comentário, "à sério" ou " à brinca", que demonstra o desrespeito que o primeiro mandatário da nação tem pelas suas FFAA. Que falta fazem hoje os líderes que um dia tivemos nas FFAA. Ouviríamos com certeza, na primeira solenidade dos militares, uma resposta à altura. Velada, metafórica, mas consistente e perfeitamente compreensível, mesmo por aqueles que não estudaram. Como chegamos a isso? |
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| Um Povo Sofrido Clarival Vilaça
Lendo a Veja encontro uma coluna falando de um dos carrascos nazistas, sequestrado pelos israelenses onde estava escondido, na Argentina, julgado em Israel e executado: Adolf Eichmann. Sua alegação foi a mesma de todos os carrascos nazistas: cumpria ordens e a cadeia de comando não permite, como sabemos, desvios, que se entende como o não cumprimento de ordens o que, em tempo de guerra, leva ao fuzilamento sumário. O julgamento e execução ocorreram em 1962. Faz tempo. Diz-se que o holocausto só foi possível porque os nazistas contaram com o antissemitismo e a cumplicidade da maioria dos alemães. Até hoje se tenta descobrir por que tanta gente reagiu com indiferença à política nazista. Mas há outros tipos de opressão. Outro tipo de crime e tão cruel como os campos de extermínio, pois a diferença seria apenas o tempo que se demora entre o sofrimento e a morte. O salário mínimo está em 211 reais. Não adianta o governo aumentar esse valor, primeiro porque a Previdência não vai poder cobrir o aumento e, segundo, porque as indústrias, as firmas particulares, teriam que fazer enormes dispensas de empregado, por não conseguir absorver o reajuste que teriam que dar. Por isso, se aceita que o salário seja pequeno, miúdo e insuficiente. O que não se pode aceitar, é que os salários da cúpula sejam tão altos em relação ao mínimo. Isso é o que está errado e num dado momento, a indiferença da população chegará ao limite. Tão inaceitável como o baixo salário-mínimo, é o alto salário de juízes e congressistas, mais seus inacreditáveis benefícios. Até quando o povo sofrido aceitará que se ganhe entre 8 e 13 mil Reais, do dinheiro público, enquanto ele tenta sobreviver com seus 211 Reais? Por que um deputado não pode ganhar, digamos, 3 mil Reais, sem mais nada (carro, séquito de auxiliares, postagem grátis, impressão grátis, verba de gabinete, combustível, passagens aéreas, três dias de trabalho por semana, jetons para cada convocação, serviço médico no local de trabalho, serviços diversos como cafezinho, barbeiro, cabeleireiro, carro, motorista, etc)? E que tal, apenas 13 salários por ano, como todo mundo? E um mês de férias por ano, como nós outros? E sem nepotismo? Será que ninguém vê que os Deputados que "trabalham" apenas três dias por semana, jamais precisariam de convocação extraordinária, caso trabalhassem a semana toda? Será que ninguém vê que moram em apartamentos funcionais e que por isso não precisam de auxílio moradia? E que por residirem em Brasília, jamais poderiam receber passagens aéreas todo fim de semana? A esposa do Primeiro Ministro da Inglaterra viaja de metrô, alguns presidentes de banco, ou secretários de fazenda do primeiro mundo, chegam em seu próprio carro às reuniões de que participam. Simples presentes recebidos levam à demissão de altos funcionários. Indiscrições são severamente punidas.Ninguém tem coragem para burlar o Fisco, pois conhecem a história de Al Capone. Aqui, as Leis e a própria Constituição, são feitas com o cuidado de beneficiar seus próprios autores. E como beneficiam. Eu temo, e já disse isso, que em determinado momento, a população vai acordar. Vai dizer: "Basta!" e vai partir para a retaliação aos seus sofrimentos e revolta com o "andar de cima" (como diz o Elio Gaspari, articulista de "O Globo") Isso vai começar com uma bomba caseira atirada numa repartição pública.Depois a coisa tenderá a se sofisticar um pouco mais e então, gente vai começar a morrer. Ou pode começar com uma passeata como a "Marcha com Deus pela Liberdade ..." como já aconteceu em 1964. Fica o alerta e espero estar errado. |
COMENTÁRIO
Clarival Vilaça
O conflito conhecido como Eldorado Carajás resultou na morte de 19 sem-terra e na ação que levou a julgamento três Oficiais da Polícia militar e quase 150 Cabos e Soldados. O primeiro julgamento absolveu os três Oficiais, por falta de provas. Um dos jurados pediu para rever a fita onde aparecem os beligerantes e onde se vê que um dos sem-terra saca de uma arma e atira. O júri concluiu então que o primeiro tiro, que desencadeou as ações seguintes foi disparado por um sem terra. E absolveu os réus. Teria o júri cometido um erro? Teria o tribunal, num conluio inimaginável, conspirado para que ocorresse a absolvição? Seria o juiz um corrupto? Houve suborno? Qualquer pessoa de bom senso, responderá não. Pelo menos até que se prove o contrário, o rito processual foi cumprido. Ah, o promotor não aceitou o questionário apresentado pelo magistrado aos jurados, pois havia quesitos que a promotoria considerou dúbios. Sim mas por que a promotoria, tão zelosa, não protestou antes? Ela certamente conhecia os quesitos. Houve um julgamento. Todos aceitaram as regras do jogo. Como o jogo foi ganho pelos réus e a opinião pública é normalmente emotiva, houve a grita geral. Políticos tentaram aparecer criticando o julgamento, portanto, a instituição da justiça, em prol da mídia. É preciso nesse país, acreditar na lei, cumprir essa lei e aceitar os resultados da ação da lei, da justiça. O mais engraçado é que, quando fomos obrigados a colocar no carro um estojo de primeiros socorros inócuo, ninguém se levantou para reclamar, a não ser os proprietários de carros. E quando se considerou desnecessária essa imposição, ninguém foi ou será ressarcido. Quando as telefônicas nos deixam mudos, nada é feito contra elas, a não ser a multa, sempre contestada e rapidamente esquecida. Esse país precisa urgentemente fazer valer as suas leis. O oposto será certamente o caos social, em poucos anos, ou mesmo uma revolução popular contra os desmando perpetrados contra a população. Eu e você vimos na televisão as cenas chocantes no embate de Eldorado Carajás. Vimos os sem-terra, armados até os dentes, com foices, enxadas, facões, acuando os policiais contra um caminhão. Os homens, sem ter como escapar, revidaram como podiam. Eu não os considero culpados. Nem você, em sã consciência, pensa assim. Temos que aceitar, em nome da moralidade, que ocorreu uma tragédia, mas não precisamos culpar quem apenas se defendeu e naqueles momentos dolorosos, pensou que talvez não voltasse a ver os filhos ou a esposa. Você, caro amigo, não morreu porque não avançou estupidamente, munido de uma foice, contra policiais militares armados. Se o fizesse, teria morrido, mas não por culpa daqueles policiais. Discorda disso? Escreva pra mim e ficarei feliz em discutirmos o assunto. |