Sem Título/Biografia e Ficção

(Trecho de livro ainda não concluído)



 

       O prédio de quatro andares era velho. Provavelmente fora construído na década de cinquenta e nunca fora reformado.Não tinha uma cor definida, mas se aproximava do cinza.As janelas eram de madeira,abrindo para fora,em parte envidraçadas.O reboco estava em mal estado de conservação e sua entrada era sombria como todo o resto.Não tinha qualquer arquitetura especial e sua fachada frontal era simples e reta. 

      Mesmo a borda das janelas, em relevo, era simples e discreta.A cor das janelas era de um verde bem escuro e velho, o que quase as confundia com o resto da construção.  O prédio não estava abandonado, mas já havia sido condenado pela Defesa Civil. Os apartamentos estavam fechados, ou destruídos pelo tempo. Alguns lacrados pelos antigos   proprietários, que os visitavam raramente, com o único objetivo de melhorar o lacre, acrescentando tábuas e pregos aos já existentes. Nos apartamentos ocupados, poucos, viviam velhos  alquebrados, cujos filhos os abandonaram para viverem em melhor lugar. Ficavam por ali, a olhar a parede em frente, ou escutando no rádio as notícias e as músicas antigas.  Podia-se andar por todo prédio sem ser percebido. Bastava que se pisasse de leve nas velhas escadarias. 

        À frente do prédio cresciam frondosas árvores  e  somente o quarto andar  permitia uma certa visão da rua do outro lado de uma galeria de águas pluviais que dividia as duas pistas. De uma das janelas era possível ver a entrada do palácio do governo,exatamente o portão de entrada onde o Governador do Estado descia do carro para se dirigir a seu gabinete.Por alguns momentos era possível divisar a figura vistosa do político, saindo do carro e entrando no palácio. Seria suficiente? 
 


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