Dia de pagamento (o que o pessoal de Greenville jamais dirá, no seu
inglês da caatinga). Rosivaldo pegou seu envelope com os 740 reais e,
dobrando cuidadosamente, o enfiou na carteira, que foi para o bolso de
trás das calças.
Tomou seu habitual ônibus e foi pra casa. Durante o trajeto,fazia
mentalmente as contas do que teria que pagar: luz, armazém,
aluguel, etc.
Ainda pensativo saltou do coletivo e se sentiu leve. Levou a mão ao
bolso e...a carteira havia sumido. Correu, mas não alcançou o
veículo, que logo dobrou a esquina.
Tomou outro ônibus e foi até ao ponto final do coletivo que
utilizara. Ele já havia chegado e saído novamente. Interrogou
motoristas, trocadores, fiscais e despachantes, mas ninguém sabia
nada sobre sua carteira.
Como havia embarcado no meio do caminho, ficou difícil determinar em
que carro ele havia viajado.
Desolado,dirigiu-se à garagem da empresa proprietária dos ônibus
daquela linha, explicou seu caso ao encarregado e foi autoriza do a
revistar cada carro que chegasse para ser recolhido.
Eram onze horas da noite quando finalmente Rosivaldo, achou seu
ônibus. Cansado, com fome, revistava cada poltrona próxima ao local
onde se lembrava de ter sentado quando viu algo familiar,
entre o encosto e o assento de um dos bancos. Era sua carteira.
Não acreditando em sua sorte, pegou o envelope de dentro
da carteira, contou seu dinheiro, recontou, dobrou o envelope
cuidadosamente e guardou com carinho.
Só então parou de suar, seu coração voltou a bater compassadamente
e ele, trôpego, se afastou acenando agradecido para o encarregado da
garagem.
No ponto de ônibus, recomeçou a fazer contas mentalmente,quando
ouviu uma voz às suas costas:
- Não se mexa, é um assalto. Passa tudo, rápido.